Com a chatice que o meu lado troll esparrama de cada vez que se põe a escrever sobre economia...
Vou por aqui um trecho de uma aula que dei à pouco tempo: É um bocadinho longo mas imagino que gostem.
"Para motivar a ideia de que os resultados podem depender da percepção subjectiva, Keynes (1936) utilizou a metáfora de um concurso de beleza em que o objectivo dos juízes não era decidir quem era a mais bonita, mas descobrir qual a concorrente que receberia a maioria dos votos dos outros juízes.
Problemas económicos normalmente têm dois componentes, uns objectivos, por exemplo, como empresa obtém receita, bem como componentes subjectivos, por exemplo, quanta receita os investidores pensam que vão obter. As duas estão indissoluvelmente ligadas. Por exemplo, se os investidores pensam que uma empresa será bem sucedida investem mais dinheiro, permitindo que empresa para aumente as suas receitas. Geralmente, a percepção subjectiva afecta as decisões de investimento, que por sua vez têm consequências nos resultados objectivos, que por sua vez afectam de novo as percepções subjectivas.
O modelo de Keynes apenas lida com os elementos puramente subjectivos do problema, no sentido de que as escolhas dos juízes, não altera quão bonitas são as participantes.
Agora, imaginemos que de facto as opiniões dos juízes afectem a beleza das candidatas, ou seja, que se verifique aquilo a que Soros (1987) designou por algo que se pode “market reflexivity "
De repente o concurso passa a um simples jogo de sorte e azar, em que a probabilidade de vitória de uma concorrente pode depender do montante apostado nela, onde a percepção subjectiva do juiz e a objectividade dos resultados passa a ser determinante.
Consideremos o jogo da moeda, um jogo simples, mas imaginemos que os resultados são afectados pelo montante apostado em cada um dos resultados possíveis. A análise subjectiva dos resultados pelo apostador leva-o a apenas dois possíveis – ou cara ou coroa – onde o montante a apostar deixa de ser decisivo e os resultados passam a constantes.
Verificamos então que existem situações que dependem de elementos subjectivos. No caso de um cavalo corrida, por exemplo, um jóquei cavalgando um cavalo que é o mais forte candidato à vitória pode ganhar mais dinheiro se, secretamente, apostar num outro que seja o candidato a segundo na corrida e depois intencionalmente, perder a mesma. Ou seja, se o cavaleiro faz batota, à medida que as expectativas sobre o seu cavalo sobem, as probabilidades objectivas de ganhar descem.
Por outro lado, o cenário económico que discutimos acima, se as pessoas preferem estratégias de crescimento, investem em empresas cujo o valor está a subir e consequentemente levam a que esse valor ainda suba mais.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
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